Para amenizar os escândalos, os assaltos públicos /privados, a pobreza do nosso futebol e outras mazelas, fomos dar uma volta pela histórica Rua Ipiranga, onde suas calçadas de pedra e fachadas coloniais nos transportaram para um passado mais ameno do que estes tempos bicudos.
Acompanhado da sedutora cinéfila Mme. R. assídua freqüentadora do Cine Ipiranga. Uma locadora de filmes e café. Na entrada, um cartaz não anunciava o filme e sim sugestões para o almoço. Entramos.
Trata-se de um prédio de 1890, felizmente tombado e bem conservado. Nas salas da frente, uma coleção magnífica de vídeos. Nos fundos, saletas bem arrumadas,mesas e cadeiras de época, onde são servidas as refeições. Mais ao fundo uma simpática área aberta. Como eram agradáveis estas casas antigas. Arejadas e espaçosas.
Como entrada, foi-nos oferecido uma salada verde.O prato principal poderia ser um filet mignon ao molho de mostarda, que Mme.R. com elegância, bravamente abateu.Eu pedi uns camarões flambados que estavam ótimos.Caso queira, o feliz cliente pode apreciar um feijão preto, que com o arroz branco,um dos poucos casamentos que deram certo, torna a vida mais gostosa.O atendimento sempre correto e eficiente.De sobremesa o tiramisú, pudim de leite,manjar de coco, tortas, etc. fazem bem o final de festa
A casa também serve sanduíches, bruschettas, sopas caseiras, etc. Tudo feito no local. Os preços são honestos. A simpatia dos donos e dos funcionários, uma constante.
À noite sonhei. Encontrei numa mesa: Chaplin, Hitchcock e Kubrick, três dos maiores nomes do cinema. O que falavam, não dava para entender, mas estavam gostando do ambiente e da comida. Nem só da sétima arte vive o homem. Fogos anunciariam a entrada de campo do time,no aristocrático Fluminense Football Club,na elegante Laranjeiras, onde certamente Marcos Mendonça e João Coelho Neto (Preguinho) brilhariam e a torcida adversária provocaria, agitando sombrinhas coloridas: -” É pó de arroz! É pó de arroz!”
f.a.