sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O BONDE CONTINUA...

Humanos/desumanos:

Para viver um ambiente festivo e fugir da infelicidade, voltei a um estabelecimento que procura manter as tradições, tão esquecidas nestes tempos bicudos,após longos e tenebrosos verões.
Retornei ao CAFÉ RESTAURANTE LAMAS.
Pouco mudou...
Se no século 19( a casa foi fundada em 1874) as coisas eram diferentes: o bonde do Largo do Machado fazendo a voltinha, dinheiro em réis, espartilhos,cinta liga, anáguas, luvas, combinações, sombrinhas , homens de chapéus e coletes, bengalas,pince nez, polainas, ar mais puro, um pouco mais de vergonha para as coisas públicas...

O LAMAS do passado: uma entrada com fruteiras à mostra e seu salão com mesinhas de mármore imaculadamente branco e cadeiras típica de bar. Era uma festa. Para os olhos, para a alma e para o paladar. Vivia-se talvez menos aquela época, porém melhor... O silêncio era de ouro.
Vocês, leitores, devem estar pensando que vivenciei o século 19... Ou eu estar conservada em formol... Claro que não! São relatos da assídua avó materna. Que sua doce alma descanse em paz.

Retornando ao século 21, já lá estava sentada à mesa a charmosa e misteriosa R.J.
Voltei ao passado, lembrei-me de vovó: espelhos,mármores, mesinhas de época, garçons vestidos a caráter, uns simpáticos, outros sisudos, vozerio, pratos generosos... Aí é um capítulo a parte: filés de várias maneiras(o ao metrô, daria para chegar a alguma estação, dado o tamanho...) fariam sucesso na Índia... Bacalhaus, filés de frango saborosos e de tão grandes que pensei, não sei por que ( espiritualmente, é claro!) num busto de alguma atriz italiana, tamanha generosidade... Peixes, camarões(o pastel, quando comi, atingi o Nirvana...), batatas feitas das maneiras mais diferentes. Sobremesas coloridas e atraentes.
Isto se dá também, no café da manhã e chá oferecidos.
O variado prato diário da culinária, de quem gosta: feijoada, rabada, dobradinha, lingua,etc.etc. e tal. Sua canja especial, que faz retornar à saúde os enfermos e mais uma vez lembrando a pranteada avó:- “canja de galinha e cautela não faz mal a ninguém!...”.
Esqueci por instantes, o alarido da eclética freguesia. Um festival de seres humanos diferentes. Como também das televisões ligadas, que era um convite a comer mais...
Um pequeno detalhe chamou-me atenção: suas latas de óleo de oliva, sem um bico adequado para o uso.
Na saída até ganhar à rua, pensei na delícia que deveria ser andar de bonde, o ar fresco no rosto, a visão de uma cidade, seus tipos... Vi vovó de sombrinha rendada, sendo delicada e educadamente ajudada por um cavalheiro a subir no coletivo sobre trilhos, após passar bons momentos no Lamas.
f.a.