segunda-feira, 19 de setembro de 2011

CHEGA DE SAUDADE


Humanos/desumanos:


Nestes dias bicudos, de muitos escândalos (não param!), crises internacionais, futebol nacional dando vexames, resolvi conhecer um restaurante de massas. De nome italiano: LUIGI’S .
Aproveitando que o dia estava belo, sol não escaldante e temperatura fresca. Características ideais para comer uma massa.
Na entrada, já me aguardava a delicada R.J.
A casa, onde abriga o restaurante é bem antiga, pois apresenta arquitetura e decoração do início do século, acredito.
Entramos e nos situamos. Pude observar as qualidades de uma casa antiga: nossos antepassados viviam! Pé direito alto, ambientes espaçosos e arejados. O bairro guarda algo de bem estar. Lembrei-me: próximo vivia a enluarada, a divina, a eterna Elizete Cardoso.
A casa, dando mostras da idade em suas paredes, trazia-me lembranças de uns tempos que não voltam mais: aulas de piano, espartilhos, meias ligas, jantarados, luz de velas, peignoir, beijos roubados...
Fui acordada destes devaneios por uma voz nordestina, mostrando-me o cardápio.
Pedimos um couvert e como pratos principais: fettucine e um risotto di funghi.
O couvert veio com pedaços de pimentões, quase esfarelando, talvez pelo tempo, boiando num líquido. Algum pão, duas pastinhas. Nada a acrescentar.
Esperamos pelos pratos um tempo que dava tranquilamente ir a alguma sessão de cinema e retornar...
Após alguns olhares de surpresa para o simpático garçom, eis que nos chegam os pedidos.
O meu veio todo arrumado, parecia até que ia desfilar em alguma passarela.
Porém sem nenhum vestígio de beterraba( assim era anunciado) e lembrou-me a guerra fria, pois uma parte veio quente e a outra fria... A massa verde esperança, um pouco dura.
Quanto a adorável R.J., teve que chamar os bombeiros para conter o calor de seu risoto...

Caso reclamassemos ,correríamos o risco de esperar por mais uma sessão de cinema...
Pensei que o micro ondas ora esquenta muito, ora nada...
Pedimos à conta que veio na velocidade da luz!
Cara, como já mostrava o cardápio. Quase pedi para lavar alguns pratos...
Na saída, fiquei pensando nas verdadeiras tratorias italianas.
Ganhei à rua e imaginei escutar a divina Elizete cantando “Chega de saudade.”
f.a.