Humanos/desumanos:
Para viver um ambiente festivo e fugir da infelicidade, voltei a um estabelecimento que procura manter as tradições, tão esquecidas nestes tempos bicudos,após longos e tenebrosos verões.
Retornei ao CAFÉ RESTAURANTE LAMAS.
Pouco mudou...
Se no século 19( a casa foi fundada em 1874) as coisas eram diferentes: o bonde do Largo do Machado fazendo a voltinha, dinheiro em réis, espartilhos,cinta liga, anáguas, luvas, combinações, sombrinhas , homens de chapéus e coletes, bengalas,pince nez, polainas, ar mais puro, um pouco mais de vergonha para as coisas públicas...
O LAMAS do passado: uma entrada com fruteiras à mostra e seu salão com mesinhas de mármore imaculadamente branco e cadeiras típica de bar. Era uma festa. Para os olhos, para a alma e para o paladar. Vivia-se talvez menos aquela época, porém melhor... O silêncio era de ouro.
Vocês, leitores, devem estar pensando que vivenciei o século 19... Ou eu estar conservada em formol... Claro que não! São relatos da assídua avó materna. Que sua doce alma descanse em paz.
Retornando ao século 21, já lá estava sentada à mesa a charmosa e misteriosa R.J.
Voltei ao passado, lembrei-me de vovó: espelhos,mármores, mesinhas de época, garçons vestidos a caráter, uns simpáticos, outros sisudos, vozerio, pratos generosos... Aí é um capítulo a parte: filés de várias maneiras(o ao metrô, daria para chegar a alguma estação, dado o tamanho...) fariam sucesso na Índia... Bacalhaus, filés de frango saborosos e de tão grandes que pensei, não sei por que ( espiritualmente, é claro!) num busto de alguma atriz italiana, tamanha generosidade... Peixes, camarões(o pastel, quando comi, atingi o Nirvana...), batatas feitas das maneiras mais diferentes. Sobremesas coloridas e atraentes.
Isto se dá também, no café da manhã e chá oferecidos.
O variado prato diário da culinária, de quem gosta: feijoada, rabada, dobradinha, lingua,etc.etc. e tal. Sua canja especial, que faz retornar à saúde os enfermos e mais uma vez lembrando a pranteada avó:- “canja de galinha e cautela não faz mal a ninguém!...”.
Esqueci por instantes, o alarido da eclética freguesia. Um festival de seres humanos diferentes. Como também das televisões ligadas, que era um convite a comer mais...
Um pequeno detalhe chamou-me atenção: suas latas de óleo de oliva, sem um bico adequado para o uso.
Na saída até ganhar à rua, pensei na delícia que deveria ser andar de bonde, o ar fresco no rosto, a visão de uma cidade, seus tipos... Vi vovó de sombrinha rendada, sendo delicada e educadamente ajudada por um cavalheiro a subir no coletivo sobre trilhos, após passar bons momentos no Lamas.
f.a.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
NOEL NA POLONIA
Humanos/desumanos:
Para atenuar as tensões do momento econômico europeu, que nos coloca nervosos, e tentar esquecer a barbárie humana ( não acaba, infelizmente!) no mundo, fomos atraídos a re-visitar nossas origens: A POLONESA.
Conhecedora do local: simpático, não muito grande e aconchegante.
A mesa reservada já nos esperava. Como a adorável R.J. sorvendo sua indefectível água mineral com gás.
Pedimos os pratos. E, o suflê de chocolate ( carro chefe da casa). Comemorava-se um aniversário.
Éramos um grupo de cinco e a fome, dado o adiantado da hora, era aplacada com o serviço, simples, quase calçando as sandálias da humildade, onde uma pastinha branca, repolho e maionese, etc. espalhado num pão preto, lembrou-nos a Europa central.
Conversamos muito, pois não nos víamos há tempos.
E, tome pão preto...
A demora foi marcante.
Percorremos pelas paredes, todos os ícones poloneses, artigos de jornais sobre a casa, turismo polonês, comentários gastronômicos, etc.etc. Notamos a falta de Polanski . Lamentável.
Imaginei que daria para ir á Polônia, visto a demora. Claro que não... Devia ser a fome, criadora deste devaneio... Salva por um anjo alvo e puro, de somente 09 anos, de olhos violáceos, que começou a cantarolar baixinho, os maiores sucessos do maior compositor brasileiro de todos os tempos, nada mais, nada menos do que o imortal Noel Rosa!
Confesso que vi o mestre Chopin sorrir no pôster pendurado... Imaginei que o número de cozinheiros era mínimo ou alguns deles tinham sido raptados, pela concorrência... O que a fome não produz...
Quando aquela querubim terminava os últimos versos: ... “Eu não mereço a comida que você pagou pra mim...”, eis que a mesma chega!
Nada mudou. O gulash e o frango com purê de maçã, estavam honestos. Assim como a simpatia, o senso de humor dos garçons cearenses( os melhores!), que dado o tempo de casa, possuem um sotaque polonês...
Quanto ao suflê: para cantar parabéns, deveria ser de melhor qualidade, já comi superiores, no mesmo local, verdade seja dita.
Causou-me surpresa o preço do cafezinho. Provavelmente as xícaras eram de porcelana polonesa...
A boa filha retornará à casa, quem sabe...
Lá fora, a nossa linda salvadora mirim, terminava o inesquecível recital: ...“Você que atende ao apito de uma chaminé de barro, porque não atende ao grito tão aflito da buzina de meu carro...”.
f.a.
domingo, 9 de outubro de 2011
PAZ
Humanos/desumanos:
E, seria ali o fórum mais indicado para a resolução.Aquela conflagrada região necessita de paz, diálogo, entendimento. São primos, oram para um mesmo Deus e... Não se entendem!...Assim é que, para viver momentos das Arábias, fui ao Amir.
Aguardava-me a sempre charmosa e encantadora R.J.
Mesmo num espaço não muito grande, pude observar que tudo funcionava a contento. Uma bandeira do Líbano enfeitava uma das paredes. Pensei naquele país, considerado, numa época ,a cultura do Oriente.Depois as guerras...
A decoração do lugar lembrou-me aqueles oásis no deserto. Só faltou uma dançarina, com a sensual dança do ventre...
A comida, sempre renovada, não falhava: pastinhas típicas, entradas delicadas, pratos especiais... Um convite ao prazer!...
Fato marcante o garçom: solícito, gentil, educado, fato difícil nos dias de hoje. Em minha delirante cabeça, passou a ideia, de como aquela região conturbada seria melhor se todos fossem iguais a este cavalheiro, de nome Soares. Ele começou nos servindo uma cestinha, com o alimento mais tradicional e sagrado, que se tem notícia: O pão. Típicos, mornos e que junto às pastinhas, nos encheram de prazer.
Deu-nos igual, entre outros: homus tahine, babaganoush, tabule, esfihas, kaftas, tipos de arroz, etc.etc.
A cada mordida, sob o doce olhar de R.J., a dançarina sensual do Oriente, contorcia-se em minha imaginação.
Chegamos ás sobremesas. Doces árabes. Divinos. Ataifes: recheados ora com pistaches, nozes, damascos, ricota.
No final um chá árabe de hortelã.
Saímos, pois se continuássemos no local, correríamos o risco de acampar no local e nos fixarmos...
Na rua comecei a assobiar Sheherazade, de R. Korsakov.
f.a.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
CHEGA DE SAUDADE
Humanos/desumanos:
Nestes dias bicudos, de muitos escândalos (não param!), crises internacionais, futebol nacional dando vexames, resolvi conhecer um restaurante de massas. De nome italiano: LUIGI’S .
Aproveitando que o dia estava belo, sol não escaldante e temperatura fresca. Características ideais para comer uma massa.
Na entrada, já me aguardava a delicada R.J.
A casa, onde abriga o restaurante é bem antiga, pois apresenta arquitetura e decoração do início do século, acredito.
Entramos e nos situamos. Pude observar as qualidades de uma casa antiga: nossos antepassados viviam! Pé direito alto, ambientes espaçosos e arejados. O bairro guarda algo de bem estar. Lembrei-me: próximo vivia a enluarada, a divina, a eterna Elizete Cardoso.
A casa, dando mostras da idade em suas paredes, trazia-me lembranças de uns tempos que não voltam mais: aulas de piano, espartilhos, meias ligas, jantarados, luz de velas, peignoir, beijos roubados...
Fui acordada destes devaneios por uma voz nordestina, mostrando-me o cardápio.
Pedimos um couvert e como pratos principais: fettucine e um risotto di funghi.
O couvert veio com pedaços de pimentões, quase esfarelando, talvez pelo tempo, boiando num líquido. Algum pão, duas pastinhas. Nada a acrescentar.
Esperamos pelos pratos um tempo que dava tranquilamente ir a alguma sessão de cinema e retornar...
Após alguns olhares de surpresa para o simpático garçom, eis que nos chegam os pedidos.
O meu veio todo arrumado, parecia até que ia desfilar em alguma passarela.
Porém sem nenhum vestígio de beterraba( assim era anunciado) e lembrou-me a guerra fria, pois uma parte veio quente e a outra fria... A massa verde esperança, um pouco dura.
Quanto a adorável R.J., teve que chamar os bombeiros para conter o calor de seu risoto...
Caso reclamassemos ,correríamos o risco de esperar por mais uma sessão de cinema...
Pensei que o micro ondas ora esquenta muito, ora nada...
Pedimos à conta que veio na velocidade da luz!
Cara, como já mostrava o cardápio. Quase pedi para lavar alguns pratos...
Na saída, fiquei pensando nas verdadeiras tratorias italianas.
Ganhei à rua e imaginei escutar a divina Elizete cantando “Chega de saudade.”
Pedimos à conta que veio na velocidade da luz!
Cara, como já mostrava o cardápio. Quase pedi para lavar alguns pratos...
Na saída, fiquei pensando nas verdadeiras tratorias italianas.
Ganhei à rua e imaginei escutar a divina Elizete cantando “Chega de saudade.”
f.a.
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