segunda-feira, 24 de outubro de 2011

NOEL NA POLONIA



Humanos/desumanos:

P
ara atenuar as tensões do momento econômico europeu, que nos coloca nervosos, e tentar esquecer a barbárie humana ( não acaba, infelizmente!) no mundo, fomos atraídos a re-visitar nossas origens: A POLONESA.
Conhecedora do local: simpático, não muito grande e aconchegante.
A mesa reservada já nos esperava. Como a adorável R.J. sorvendo sua indefectível água mineral com gás.
Pedimos os pratos. E, o suflê de chocolate ( carro chefe da casa). Comemorava-se um aniversário.

Éramos um grupo de cinco e a fome, dado o adiantado da hora, era aplacada com o serviço, simples, quase calçando as sandálias da humildade, onde uma pastinha branca, repolho e maionese, etc. espalhado num pão preto, lembrou-nos a Europa central.

Conversamos muito, pois não nos víamos há tempos.

E, tome pão preto...

A demora foi marcante.

Percorremos pelas paredes, todos os ícones poloneses, artigos de jornais sobre a casa, turismo polonês, comentários gastronômicos, etc.etc. Notamos a falta de Polanski . Lamentável.

Imaginei que daria para ir á Polônia, visto a demora. Claro que não... Devia ser a fome, criadora deste devaneio... Salva por um anjo alvo e puro, de somente 09 anos, de olhos violáceos, que começou a cantarolar baixinho, os maiores sucessos do maior compositor brasileiro de todos os tempos, nada mais, nada menos do que o imortal Noel Rosa!

Confesso que vi o mestre Chopin sorrir no pôster pendurado... Imaginei que o número de cozinheiros era mínimo ou alguns deles tinham sido raptados, pela concorrência... O que a fome não produz...

Quando aquela querubim terminava os últimos versos: ... “Eu não mereço a comida que você pagou pra mim...”, eis que a mesma chega!

Nada mudou. O gulash e o frango com purê de maçã, estavam honestos. Assim como a simpatia, o senso de humor dos garçons cearenses( os melhores!), que dado o tempo de casa, possuem um sotaque polonês...

Quanto ao suflê: para cantar parabéns, deveria ser de melhor qualidade, já comi superiores, no mesmo local, verdade seja dita.

Causou-me surpresa o preço do cafezinho. Provavelmente as xícaras eram de porcelana polonesa.
..
A boa filha retornará à casa, quem sabe...

Lá fora, a nossa linda salvadora mirim, terminava o inesquecível recital: ...“Você que atende ao apito de uma chaminé de barro, porque não atende ao grito tão aflito da buzina de meu carro...”.

f.a.


domingo, 9 de outubro de 2011

PAZ



Humanos/desumanos:

Nestes dias assisti pela TV o representante na ONU, solicitar que seja criado o estado palestino. Nada mais justo. Se todos têm um estado, uma pátria, uma representação, porque não?
E, seria ali o fórum mais indicado para a resolução.
Aquela conflagrada região necessita de paz, diálogo, entendimento. São primos, oram para um mesmo Deus e... Não se entendem!...Assim é que, para viver momentos das Arábias, fui ao Amir.
Aguardava-me a sempre charmosa e encantadora R.J.

Mesmo num espaço não muito grande, pude observar que tudo funcionava a contento. Uma bandeira do Líbano enfeitava uma das paredes. Pensei naquele país, considerado, numa época ,a cultura do Oriente.Depois as guerras...

A decoração do lugar lembrou-me aqueles oásis no deserto. Só faltou uma dançarina, com a sensual dança do ventre...

A comida, sempre renovada, não falhava: pastinhas típicas, entradas delicadas, pratos especiais... Um convite ao prazer!...

Fato marcante o garçom: solícito, gentil, educado, fato difícil nos dias de hoje. Em minha delirante cabeça, passou a ideia, de como aquela região conturbada seria melhor se todos fossem iguais a este cavalheiro, de nome Soares. Ele começou nos servindo uma cestinha, com o alimento mais tradicional e sagrado, que se tem notícia: O pão. Típicos, mornos e que junto às pastinhas, nos encheram de prazer.

Deu-nos igual, entre outros: homus tahine, babaganoush, tabule, esfihas, kaftas, tipos de arroz, etc.etc.

A cada mordida, sob o doce olhar de R.J., a dançarina sensual do Oriente, contorcia-se em minha imaginação.

Chegamos ás sobremesas. Doces árabes. Divinos. Ataifes: recheados ora com pistaches, nozes, damascos, ricota.

No final um chá árabe de hortelã.

Saímos, pois se continuássemos no local, correríamos o risco de acampar no local e nos fixarmos...

Na rua comecei a assobiar Sheherazade, de R. Korsakov.

f.a.