Humanos/desumanos:
Para atenuar as tensões do momento econômico europeu, que nos coloca nervosos, e tentar esquecer a barbárie humana ( não acaba, infelizmente!) no mundo, fomos atraídos a re-visitar nossas origens: A POLONESA.
Conhecedora do local: simpático, não muito grande e aconchegante.
A mesa reservada já nos esperava. Como a adorável R.J. sorvendo sua indefectível água mineral com gás.
Pedimos os pratos. E, o suflê de chocolate ( carro chefe da casa). Comemorava-se um aniversário.
Éramos um grupo de cinco e a fome, dado o adiantado da hora, era aplacada com o serviço, simples, quase calçando as sandálias da humildade, onde uma pastinha branca, repolho e maionese, etc. espalhado num pão preto, lembrou-nos a Europa central.
Conversamos muito, pois não nos víamos há tempos.
E, tome pão preto...
A demora foi marcante.
Percorremos pelas paredes, todos os ícones poloneses, artigos de jornais sobre a casa, turismo polonês, comentários gastronômicos, etc.etc. Notamos a falta de Polanski . Lamentável.
Imaginei que daria para ir á Polônia, visto a demora. Claro que não... Devia ser a fome, criadora deste devaneio... Salva por um anjo alvo e puro, de somente 09 anos, de olhos violáceos, que começou a cantarolar baixinho, os maiores sucessos do maior compositor brasileiro de todos os tempos, nada mais, nada menos do que o imortal Noel Rosa!
Confesso que vi o mestre Chopin sorrir no pôster pendurado... Imaginei que o número de cozinheiros era mínimo ou alguns deles tinham sido raptados, pela concorrência... O que a fome não produz...
Quando aquela querubim terminava os últimos versos: ... “Eu não mereço a comida que você pagou pra mim...”, eis que a mesma chega!
Nada mudou. O gulash e o frango com purê de maçã, estavam honestos. Assim como a simpatia, o senso de humor dos garçons cearenses( os melhores!), que dado o tempo de casa, possuem um sotaque polonês...
Quanto ao suflê: para cantar parabéns, deveria ser de melhor qualidade, já comi superiores, no mesmo local, verdade seja dita.
Causou-me surpresa o preço do cafezinho. Provavelmente as xícaras eram de porcelana polonesa...
A boa filha retornará à casa, quem sabe...
Lá fora, a nossa linda salvadora mirim, terminava o inesquecível recital: ...“Você que atende ao apito de uma chaminé de barro, porque não atende ao grito tão aflito da buzina de meu carro...”.
f.a.